O extraordinário apartamento de papel

Colagem de 3 mil folhas domina decoração em NY

Ter na casa um cômodo decorado com papel de parede está longe de ser uma anomalia. Possuir vários ambientes, cada um revestido com um papel de parede diferente, é mais raro – mas completamente plausível. Cobrir praticamente todas as paredes de um apartamento com uma colagem composta por quase 3 mil folhas de papel tamanho A4, de cores e motivos os mais diversos, é outra história, completamente.
É impossível permanecer indiferente ao “apartamento de papel” do designer Doug Meyer, localizado no coração do bairro do Chelsea, em Nova York. Já ao passar pela porta de entrada, o visitante é surpreendido ao se deparar com paredes e mais paredes recobertas com combinações de cores que não se repetem em nenhum momento.
A ideia surgiu uma noite, enquanto Doug desenhava estampas no computador e as imprimia em folhas de papel colorido. Divertindo-se com o resultado, ele decidiu pendurá-las na parede de seu quarto. Quando seu irmão e sócio na loja de moda e decoração Doug & Gene Meyer, Gene, veio visitá-lo alguns dias depois, sugeriu, como quem não quer nada: “Por que não transformamos isso em um projeto?”. Doug levou a brincadeira a sério.

Juntos, os irmãos decidiram criar um conceito em torno do assunto. Ao invés de um papel de parede tradicional, utilizaram cerca de 3 mil folhas de 21,5 x 28 cm cada, compradas em uma papelaria da 5ª Avenida. A escolha das cores – que abrangem os tons de azul, laranja, cinza, marrom e verde-maçã – foi influenciada pelo mobiliário do apartamento. Cerca de três semanas depois e muitas idas e vindas à papelaria, o trabalho estava concluído. O espaço se transformou em um enorme mosaico de estampas e cores. No quarto, existem aproximadamente 500 motivos diferentes. Já na cozinha, os irmãos preferiram uma certa neutralidade: para evitar acidentes com líquidos, eles revestiram apenas as prateleiras e portas dos armários.

Doug e Gene confessam ter uma paixão pela colagem. Já o gosto pela decoração vem da infância. Quando crianças, em Louisville, Kentucky, a mãe permitia que eles reformassem os quartos a cada dois anos. Gene ainda se recorda de, literalmente, destruir a decoração feita pelo designer de interiores de seus pais e colar pôsteres psicodélicos de Peter Max nas paredes e no teto.
Várias décadas e muitas folhas de papel depois, o apartamento de Doug recebe a nova experiência dos inquietos irmãos. Ao final do projeto, bastou pendurar as obras de arte que já existiam na residência, como o silk screen de Marilyn Monroe, de Andy Warhol, as fotos de Cindy Sherman e Richard Avedon e as pinturas de Nancy Lorenz e Philip Taaffe. A maior parte dos móveis já pertencia ao apartamento; o restante foi adquirido no site dos próprios irmãos, que comercializa objetos para a casa e acessórios de moda.

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